Título: Palácio dos Azulejos: de residência à Paço Municipal (1878-1968)

Autor: Maria Joana Tonon

Orientador: Cristina Meneguello

Categoria: Dissertação

Palavras-chave: Sobrados – Arquitetura, Familia – São Paulo (SP) – Historia, Prefeituras municipais

Resumo: Este trabalho se propôs a investigar o antigo sobrado geminado, construído e habitado pela tradicional Familia de Joaquim Ferreira Penteado – Barão de Itatiba conhecido, à partir de meados da década de 1930, como Palácio dos Azulejos. Ao resgatar o sentido de casa, objeto rigidamente geométrico, observou-se que foi nela que se originaram e se desenvolveram, nos últimos séculos, importantes valores como privacidade, domesticidade, individualidade e conforto, além dos conceitos de lar e de família, tomando-se o elemento de fixação da unidade familiar. Passando por transformações físicas, através dos tempos, a casa, abrigo ou lar, sempre protegeu o corpo e o espírito do homem, resguardando-o, no conforto e na intimidade, não só das intempéries mas dos olhares públicos ou estranhos. Para a família patriarcal paulista do século XIX, envolvida no espírito burguês, morar no sobrado urbano representava o que de melhor poderia existir em termos de habitação, pois simbolizava a riqueza, o poder e a modernidade, através das novas técnicas construtivas e estilos e uma avalanche de bens industrializados, matérias-primas, manufaturas, além de mudanças comportamentais. Para manutenção deste poder, a Família Ferreira Penteado, juntamente com outras do período, mantiveram uma rede de alianças matrimoniais entre parentes e parentela política pois controlavam, desta maneira, não só o poder econômico mas fortaleciam os laços políticos e sociais que possuíam na cidade. Transformado em Paço Municipal, a partir de 1908, o antigo sobrado passou por uma série de intervenções arquitetônicas, adequando-se ao novo uso de espaço público, não satisfazendo, desde o início, às necessidades do município, por ser um edifício adaptado. Profundas alterações urbanas começaram a ser implantada em Campinas através do Plano de Melhoramentos Urbanos, a partir de 1938, cogitando-se por algumas vezes sua demolição e construção do novo Paço Municipal, fato não ocorrido no decurso dos anos, pela insistência de alguns preservacionistas que viam, na sua manutenção, a possibilidade dele abrigar o Museu Histórico de Campinas. Apesar de ter assegurado seu tombamento através do IPHAN em 1967, ato retificado pelo CONDEPHAA T e pelo CONDEP ACC, alguns anos depois, o Palácio dos Azulejos continuou gerando grandes tensões entre autoridades municipais e representantes de vários segmentos da sociedade pois, enquanto uns lutavam pela sua preservação outros pediam seu “destombamento” e, consequentemente, sua demolição, justificando que sua manutenção era a antítese do progresso, vislumbrando, na desocupação de importante solo, a possibilidade de grandes investimentos por empresários do setor imobiliário. Na fase atual, com o empenho dos setores público e privado, discute-se a revitalização do centro da cidade de Campinas, tendo na restauração do Palácio dos Azulejos um dos principais motes para requalificar não só seu entorno, valorizando-o na malha urbana, mas a cidade através de inúmeras iniciativas como a restauração de bens históricos, ruas e logradouros públicos.

Origem: Biblioteca Digital da UniCamp

Acesso pela nossa equipe em: 06/01/2010.

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