Título: Formação territorial da Capitania da Paraíba, 1755-1808

Autores: Juliano Loureiro Celino Morais de Carvalho

Orientador: Marco Aurélio Andrade de Filgueiras Gomes

Categoria: Dissertação

Palavras-chave: Não disponivel.

Resumo: Esta dissertação investiga a formação territorial da região contemporaneamente definida como Mata Paraibana (estado da Paraíba), na segunda metade do século XVIII. Entende-se a formação territorial como materialização espacial de relações sociais e de culturas, o que leva a pensar em sujeitos da produção do espaço, em usos do solo, em formas de ocupação, em hierarquias entre lugares – e também em ideias e discursos. Outros conceitos fundamentais são crise do antigo sistema colonial, constituição da sociedade disciplinar, longa ou curta duração e escola portuguesa de arquitetura e urbanismo. O método baseia-se no entrecruzamento de: extensa pesquisa em documentação manuscrita e cartográfica; análise dos sítios e da paisagem remanescentes; e produção de nova cartografia a partir das duas etapas anteriores, aplicando-se o conceito de síntese gráfica. Identificamos, na política da administração colonial voltada para nosso objeto, um projeto de mais conhecimento, melhor controle e maior proveito do território, com ações diferenciadas destinadas a todas as camadas sociais da Capitania. Entre 1762 e 1765, desmonta-se o sistema de aldeamentos missionários, que é substituído por cinco vilas de índios. Essa reforma vincula-se diretamente ao projeto territorial do Marquês de Pombal para a América Portuguesa, que pretendia criar novos circuitos produtivos, reorganizar o espaço agrário e fazer emergir novas urbes que fossem a materialização de um discurso de civilização e redenção. No início do século XIX, as vilas de índios restam como projeto falhado pela própria resistência indígena e pela impossibilidade dos objetivos pretendidos. A regionalização anterior torna-se mais nítida, com a expansão da produção agrícola e o fortalecimento dos circuitos comerciais locais da vila do Pilar e da freguesia de Mamanguape, que concorrem com a Cidade da Paraíba. A descentralização que se observa é enraizada na longa duração, e apenas acelerada pelo projeto pombalino. Por sua vez, as sedes das outras vilas de índios herdam o antigo pátio e a antiga relação com a paisagem dos aldeamentos, e muito pouco se modificam. Evidencia-se, assim, a fratura entre plano e resultado, tanto na escala territorial como na urbana.

Origem: Portal PPGAU/ FAUFBA

Acesso pela nossa equipe em: 30 de nov. de 2010.

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