Título: Nos caminhos da ferrovia: a arquitetura ferroviária da Linha Tronco Norte-Gaúcha 1883/1920

Autores: Ana Paula Wickert

Orientador: Esterzilda Berenstein de Azevedo

Categoria: Dissertação

Palavras-chave: Não disponivel.

Resumo: Esta dissertação tem como objetivo principal identificar, caracterizar e analisar a arquitetura ferroviária produzida na linha tronco norte gaúcha, durante o domínio da empresa belga Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fèr au Brésil, entre os anos de 1883 e 1920. Além do estudo das estações propriamente ditas, são verificadas as influências do novo meio de transporte e de sua arquitetura na vida social, econômica e urbana das cidades. Inicia com uma revisão bibliográfica que abordanda a implantação da ferrovia, a contextualização arquitetônica, os tratados de arquitetura do século XIX e arquitetura ferroviária, fornecendo a base teórica para as análises subsequentes. O cadastro englobou 15 estações remanescentes, considerando a tipologia do partido geral, a estética, os materiais construtivos e a relação da estação com o entorno e com a linha férrea. As cidades já existentes, de pequeno porte, quando da chegada da ferrovia, depositavam grandes expectativas de desenvolvimento no novo meio de transporte. Outros núcleos surgem a partir das novas estações, mas não há uma modernização. A ferrovia, responsável pelo impulso desenvolvimentista inicial, não foi capaz de mantê-lo. Assim, alguns núcleos ainda hoje vivem da atividade primária.Com relação à arquitetura, não existe a utilização de novos materiais em majestosas gares. As estações são construídas em alvenaria ou madeira, com estrutura completamente em madeira. Nas estações de 1ª classe e em algumas de 2ª, há a utilização de mãos francesas de ferro nas marquises e plataformas de embarque. As estações são agrupadas em quatro tipos principais, de acordo com o partido geral: tipo I, estações de primeira classe, Santa Maria e Cruz Alta; tipo II, estações de segunda e terceira classe, Pinhal, Julio de Castilhos, São Bento, Passo Fundo, Coxilha, Estação, Erebango, Erechim, Gaurama e Marcelino Ramos; tipo III, paradas de Sertão e Viaductos; tipo IV, somente a parada de Espinilho. Dessa forma, há um projeto padrão, conformando a arquitetura de empresa, com a utilização de materiais locais. A elaboração formal ocorre somente nas estações de 1ª classe, e nas demais, verifica-se a inexistência de elementos decorativos, restritos às pilastras, molduras das esquadrias e soco colorido, confirmando-se a hipótese de uma arquitetura econômica e de fácil execução. Na busca da definição de um padrão arquitetônico e de sua origem, faz-se uma comparação com algumas estações construídas na Bélgica, nas décadas de 1870 e 1880, no estilo utilitário e no estilo nacional, que possuíam um caráter provisório, e estavam localizadas em pequenas cidades. Através dessa análise, observou-se que existem diversos elementos comuns entre as estações gaúchas e as belgas, principalmente a utilização de materiais convencionais, a simplicidade formal e o partido retangular dividido em depósito, estação e residência do chefe. A presença das empresas belgas em solo gaúcho não representa apenas o capital estrangeiro, mas também uma certa influência na arquitetura do início do século XX.

Origem: Portal PPGAU/ FAUFBA

Acesso pela nossa equipe em: 26 de nov. de 2010.

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