Título: “O Parafuso”: de meio de transporte a cartão postal

Autores: Glaucia Maria Costa Tinchao

Orientador: Marcos Paraguassu de Arruda Câmara

Categoria: Dissertação

Palavras-chave: Não disponivel.

Resumo: A presente dissertação de mestrado contribui para a construção da história urbana brasileira, particularmente, para a história da cidade de Salvador. Reconstrói a história de um monumento, ao analisar a história das relações entre a arquitetura monumental, o equipamento urbano Elevador Lacerda (antigo Elevador Hidráulico da Conceição, ou o Parafuso), o sujeito social,  os agentes modernizadores, (público e privado) e o espaço construído – o centro antigo da cidade de Salvador, entre a atual Praça Tomé de Souza ou Municipal (antes Praça de Palácio), na Cidade Alta, e a atual Praça Cairu (antiga Praça de Comércio), na Cidade Baixa. Compreende a arquitetura como  materialização, no espaço, de uma ideia, como projeto, linguagem tridimensional que, ao expressar, na sua materialidade, as superposições de ações que se acumularam e definiram a sua monumentalidade e as configurações do espaço, transformaram-se em conteúdo e documento da história urbana, extrapolando, assim, a concepção da arquitetura para além da funcionalidade. A  análise não se restringe ao âmbito do próprio monumento como método de trabalho. A análise histórica, desenvolvida de forma analítico-crítica, destaca três momentos cujas gestões apresentaram projetos modernizadores que se destacaram por proporcionarem rupturas na compreensão da modernização da cidade de Salvador e que estão expressos na história da existência do equipamento em questão. 0 primeiro, na gestão de Gonçalves Martins, o Barão de São Lourenço (1868-1871), com a implantação do elevador na cidade. 0 segundo, nas gestões de J. J. Seabra (1912-1916 e 1920-1924), pela reforma no Centro Antigo, e Vital Henrique Batista Soares (1928-1930), pela transformação arquitetônica e ampliação dos serviços do Elevador Lacerda. 0 terceiro, na gestão de Antônio Carlos Magalhães (1971-1975), pela transferência do setor administrativo estatal do Centro Antigo da Cidade para o CAB – o novo Centro Administrativo da Bahia, na Av. Paralela, dando início a um processo de descentralização político-econômica a partir da década de 70) e pelo progresso no mercado turístico. Conclui-se que, ao longo do tempo, esse monumento, marco simbólico de ruptura com a cidade colonial, de apreciação revolucionária em termos técnicos e funcionais, tornou-se obsoleto frente às novas modalidades de meios de transporte e do sistema viário, às transformações ocorridas no contexto social e ao processo de centralização e descentralização. Ao mesmo tempo, o marco da rapidez da própria modernização técnica conquistada no período anterior soma ao mérito de seu papel funcional uma nova apreciação técnica, estética e artística, inserindo-o num novo ideário de arquitetura e de uma cidade moderna, assumindo, assim, um vertiginoso valor de imagem histórico-cultural, acentuando a sua própria dimensão como imagem tecnológica do passado. Com o predomínio de seu mérito monumental, histórico e artístico, compõe o ideário de uma cidade em busca de um mercado turístico e, pela sua magnitude e singularidade, toma-se digno de ser apreendido como marco representativo da cidade com caráter de “cartão postal”.

Origem: Portal PPGAU/ FAUFBA

Acesso pela nossa equipe em: Acesso em: 26 de nov. de 2010.