Título: O processo de modernização de Salvador no início do século XX: transformações urbano-sociais impostas à cidade entre 1900 e 1930

Autores: Ednilson Luiz Santana Menezes

Orientador: Ana Fernandes

Categoria: Dissertação

Palavras-chave: Não disponivel.

Resumo: Com este trabalho, tenho a intenção de aprofundar um pouco o conhecimento sobre as circunstâncias dos complexos e extensos elementos constitutivos do processo da modernização imposto a Salvador nas três décadas iniciais do século XX, modernização que se materializou, principalmente, através das transformações urbanas locais. Pretendo identificar – caracterizando alguns dos principais projetos de intervenção no espaço urbano de Salvador no mencionado período, conhecendo a natureza dos referidos projetos de intervenção, sua extensão, dimensões e custos, por exemplo – os espaços na cidade onde esse processo foi implementado, suas motivações, declaradas ou não, os seus mentores, seus executores, a relação entre esees e aqueles, os entreveros advindos por conta da efetivação dos projetos, enfim, o contexto social, político, econômico, tecnológico e cultural em que as “demolidoras” intervenções urbanas estiveram sendo processadas, sob o pretexto de modernizar Salvador, uma modernização que, convém que seja dito de antemão, configurou-se em “avançar” nos discursos, na superficialidade, na mudança das fachadas, o que, com maior intensidade, fez os aspectos estruturantes da sociedade soteropolitana do início do século passado permanecerem praticamente estagnados, espelhando-se no conservadorismo de muito tempo atrás. Para efeito de compreensão da evolução das transformações urbano-sociais pelas quais Salvador passou entre 1900 e 1930, considero, esquematicamente, que houve três grandes períodos delimitados, tomando como marco a atuação, aqui na Bahia, do governador José Joaquim Seabra: 1900 a 1912 – “pré Seabra” -, 1912 a 1924 – vigência do seabrismo – e 1924 a 1930, quando se deu o início, com a extrapolação dos limites de Salvador em direção ao Recôncavo, de um “modernismo estatal”, associado à expectativa, frustrada, de recuperação da economia baiana, tentando projetar este Estado ao lado do Rio de Janeiro e São Paulo. Do ponto de vista das intervenções implantadas no tecido urbano de Salvador, essa periodização, ainda que também de forma esquemática, aponta para os setores de serviços urbanos que foram priorizados pelos seus mentores em face das necessidades que boa parte da sociedade reclamava – higienização/saneamento, circulação e embelezamento da Cidade – assim como em função dos interesses dos grupos sociais, principalmente dos econômicos, os quais estiveram à frente de tais empreendimentos. Dentro dessa análise, percebo que aquelas transformações pelas quais esta Cidade passava estavam concatenadas ao arcabouço político-administrativo imposto pelos governantes locais que, por sua vez, face ao exercício do intrincado jogo do poder, aqui na Bahia, não deixaram dúvidas quanto à evidência de similaridades, através de suas práticas, com algumas categorias – autoritarismo, tradicionalismo, clientelismo, patrimonialismo, entre outras – dos fundamentos teóricos propostos por Weber. Para desenvolver essa tarefa, procurei trabalhar através de relatos existentes, mapas e jornais daquela época, dissertações e títulos publicados, contratos de obras, circulares da então Intendência, documentos da Igreja, entre outros, bem como, tentei perceber melhor as práticas mais evidentes no início do século XX, voltadas para a consecução daqueles projetos de intervenção urbana vinculados aos interesses dos principais grupos e pessoas envolvidos na reestruturação do espaço urbano e na estratificação espacial da Cidade.

Origem: Portal PPGAU/ FAUFBA

Acesso pela nossa equipe em: 26 de nov. de 2010.

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