Título: Os valores culturais da paisagem urbana em Ouro Preto – MG

Autores: Marcelo Almeida Oliveira

Orientador: Profa. Susana Acosta Olmos

Categoria: Dissertação

Palavras-chave: Não disponivel.

Resumo: A partir da década de 50 deste século, devido ao fenômeno da intensa urbanização, que repercutiu sobre a cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, ocorreram significativas transformações espaciais, que incidiram diretamente na redução das áreas não edificadas da Cidade. O surgimento do problema do rápido crescimento demográfico trouxe como consequência o aumento da taxa de ocupação do solo nos terrenos urbanos, além de provocar uma perda gradativa das características do ambiente físico, prejudicando, com isso, o processo de construção da forma arquitetônica da cidade. Diante desse fato, o trabalho se propõe a estudar uma das características espaciais do lugar, que tem sido comprometida desde aquele período. Diz respeito às áreas verdes originadas do cultivo dos quintais e que estão intrinsecamente associadas ao antigo modo de ocupação urbana difundido nos tempos coloniais. Dessa maneira, tendo em vista a compreensão desse objeto de estudo, áreas verdes intraurbanas, levando em conta a visão histórica do processo de estruturação da paisagem urbana, buscou-se trabalhar esse tema a partir do entendimento que a antropogeografia atribui a essa questão. No caso, o conceito de antropogeografia está fundamentado no processo de interação entre o homem e o seu meio, o que traz como resultante a materialização de formas significativas, impregnadas de valores atribuídos a esse meio, ao longo do tempo. Nessa perspectiva, o verde dos quintais torna-se suscetível de ser protegido como elemento integrante do patrimônio cultural de Ouro Preto, pois está relacionado à organização do espaço preexistente da cidade, o que deveria ser motivo de maior atenção dos órgãos institucionais que cuidam da preservação histórica do seu sítio. A fim de viabilizar a realização do estudo proposto para Ouro Preto, buscou-se trabalhar somente uma pequena área da cidade, pois entende-se que o problema urbano que atinge um determinado lugar, no que se refere à redução dos verdes nos quintais, é decorrente de uma conjuntura de fatores que abrange a cidade como um todo. Desse modo, para o desenvolvimento da pesquisa, procedeu-se à escolha da Ladeira Santa Efigênia e do entorno próximo. Diante da complexidade do tema tratado, houve necessidade de delimitá-lo. Tendo em vista esse propósito, foram avaliados dois períodos marcantes do processo de construção da paisagem de Ouro Preto, séculos XVIII / XIX. Nesse período, é percebido um conjunto de ações que tinham o objetivo de “ordenar” a área urbana segundo as concepções do estado português e da igreja católica, que influenciaram o parcelamento fundiário e a implantação do sistema viário, e por consequência possibilitaram a conformação dos terrenos e dos respectivos quintais. No caso do cultivo dos quintais, esse fato encontra-se associado ao atendimento das necessidades de subsistência dos moradores da cidade. Nesse contexto, importa atentar para o papel desempenhado pelo Jardim Botânico dessa cidade, durante o século XIX, responsável pela aclimação e pela propagação de espécies vegetais exóticas, o que contribuiu para o aumento da diversidade da flora local. O período pós década de 50 deste século diz respeito aos impactos causados pelo fenômeno da urbanização devido ao processo de industrialização que ocorreu na cidade, trazendo como consequência mudança na prática de partilha do solo urbano e a alteração no hábito de residir das pessoas, que passaram a ocupar lotes de pequenas áreas, sem a presença dos quintais de tempos anteriores. Dentre as medidas cabíveis que poderiam ser tomadas, tendo em vista proteger o verde intraurbano, mantendo a imagem do conjunto arquitetônico da cidade, preservando com isso o processo histórico e conformação do seu território, destacam-se: (a) a conscientização da população local e dos técnicos responsáveis pelo planejamento urbano a respeito da importância de se protegerem os espaços não edificados e, em específico, os quintais cultivados; (b) a preservação do caráter da cidade, através da visão local; (c) a implantação de um programa de habitação popular no município, através da elaboração de critérios técnicos compatíveis com a realidade socioeconômica trabalhada; (d) a elaboração de legislação urbana adequada à preservação das particularidades ambientais; (e) a criação de alternativas econômicas visando à reversão de perda gradativa das áreas dos quintais em Ouro Preto.

Origem: Portal PPGAU/ FAUFBA

Acesso pela nossa equipe em: 25 de nov. de 2010.

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