Título: A ecologia da paisagem e estratégias para ocupação e uso do solo: o entorno da RPPN Santuário do Caraça

Autores: Valesca Brandao Cerqueira Coimbra

Orientador: Prof. João Júlio Vitral Amaro

Categoria: Dissertação

Palavras-chave: Zonas de Amortecimento, Conectividade, Planejamento de Paisagens.

Resumo: A criação de unidades de conservação é um eficaz instrumento de preservação da natureza, principalmente para minimizar os impactos oriundos da fragmentação, entendida como a divisão de um hábitat em partes menores isoladas entre si. Capaz de provocar a perda da biodiversidade de uma região, este processo é considerado um dos mais graves problemas ambientais da atualidade e, no Brasil, atinge proporções gigantescas. Nos últimos anos, percebe-se um aumento do número de unidades de conservação no país. Entretanto, a extensão da área protegida não é adequada para a preservação ambiental a longo prazo, pois as unidades, em grande parte, são implantadas em áreas de remanescentes isolados sem interligações com outros fragmentos naturais. Assim, ressalta-se a importância do entorno das áreas protegidas, denominado de zona de amortecimento, pois o mesmo, se manejado corretamente, pode promover esta conectividade, evitando o processo de insulação e contribuindo para a diminuição dos efeitos da fragmentação nos ecossistemas. As atividades humanas em zonas de amortecimento geram impactos negativos que dificultam a conectividade entre áreas protegidas, e, conseqüentemente, prejudicam a manutenção da diversidade biológica daquela região. Desta maneira, o manejo de uma zona de amortecimento deve favorecer e até mesmo ampliar a conexão entre fragmentos, visando a conciliação das atividades humanas com os processos naturais. Para subsidiar este planejamento, são utilizados os princípios da ecologia da paisagem, disciplina que possui como objeto de estudo a paisagem, considerando-a como um sistema vivo, resultante das interações entre os meios físicos, bióticos e antrópicos e tendo a conectividade como princípio fundamental. Neste trabalho, utilizou-se como estudo de caso o entorno da Reserva Particular de Patrimônio Natural Santuário do Caraça, unidade de conservação particular localizada a 120 Km de Belo Horizonte, nos municípios de Santa Bárbara e Catas Altas em Minas Gerais. A região apresenta uma qualidade paisagística ímpar, composta por escarpas montanhosas, serras, cachoeiras, vegetação e fauna nativa típicos de transição entre a Mata Atlântica e o cerrado, diversidade de espécies, paisagens de beleza cênicas e um rico patrimônio histórico – cultural. Entretanto, esta qualidade vem sendo ameaçada pelos impactos das atividades que ocorrem no entorno da reserva. A região se insere no domínio do Quadrilátero Ferrífero e detém um significativo potencial mineral, fazendo com que a atividade de mineração ocorra expressivamente. Outras atividades também se destacam, como silvicultura, a agropecuária e o turismo. A análise da estrutura desta paisagem do entorno do Santuário do Caraça permite averiguar que a região foi e é palco de grandes intervenções humanas, predominando um ambiente fragmentado, com poucos remanescentes naturais. No entanto, as altas declividades e o relevo acidentado proporcionam a presença de uma extensa área natural, constituída predominantemente por campos rupestres, com poucas interferências antrópicas. Nesta área conservada, onde se insere a própria Reserva do Caraça e também uma importante unidade de conservação de proteção integral da região, o Parque Estadual do Itacolomi, a conexão entre estas duas reservas está sendo mantida. Entretanto, as perspectivas futuras sugerem a expansão das atividades humanas que podem provocar o rompimento desta matriz natural, impedindo esta conexão, tornando-se necessária a adoção de estratégias para o uso e ocupação desta paisagem que possam reverter este quadro e garantir a preservação da natureza a longo prazo.

Origem: Biblioteca Digital UFMG

Acesso pela nossa equipe em: 04 de out. de 2010.

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