Título: O modernismo “com sabor local”: uma arquitetura antropofágica?

Autores: Sulamita Fonseca Lino

Categoria: Artigo

Palavras-chave: Modernismo; Vanguardas; Contatos; Trocas; Misturas; Antropofagia.

Resumo: Este trabalho tem como objetivo discutir a complexa relação entre a cultura internacional, através das vanguardas artísticas e arquitetônicas, e a cultura nacional, nas primeiras manifestações da arquitetura e das artes consideradas modernas no Brasil, nos anos de 1923 a 1933. Foram escolhidos no contexto brasileiro dois artistas e dois arquitetos cujos trabalhos resultam do seu contato com a vanguarda internacional e a cultura local: os europeus do leste Lasar Segall e Gregori Warchavchik, e os brasileiros Tarsila do Amaral e Flávio de Carvalho. Num primeiro momento, foram mapeadas a formação internacional desses artistas e arquitetos e as principais referências que eles trouxeram para o Brasil. Em seguida, foram analisadas as primeiras casas modernas projetadas por Warchavchik, suas referências imediatas e o modo de inserção das telas de Segall e Tarsila em seus ambientes. Por fim, foi estudado o momento em que os artistas e arquitetos se organizaram em sociedades e promoveram conferências, exposições, teatro e outros eventos. Nesse momento Warchavchik e Flávio de Carvalho construíram obras arquitetônicas que discutem a moradia coletiva e Tarsila e Segall incorporavam em seus trabalhos a temática social. A análise dos contatos, das trocas e misturas nesse contexto revela a complexa relação entre toda uma variedade de referências, como o expressionismo alemão, o cubismo, a art nègre, as obras e teorias de Le Corbusier e da Bauhaus, a casa brasileira, a cultura popular, o negro local, as cores caipiras, a luz tropical. É possível reconhecer nessa complexa relação alguns aspectos comuns que a literatura contemporânea apontava: a relação entre o arcaico e o moderno em Macunaíma, de Mário de Andrade, e a atitude antropofágica, na obra de Oswald de Andrade. Esses artistas e arquitetos deglutiam as referências culturais, tanto internacionais como locais, de maneira intuitiva, ou seja, desconsiderando seus contextos originais. Esse ato de devoração criou uma arte e uma arquitetura que pertencem simultaneamente aos dois mundos (europeu e brasileiro) e a nenhum. Indefinidas, misturam o arcaico e o moderno e criam um modernismo “com sabor local”.

Origem: Portal TEDE UFPE

Acesso pela nossa equipe em: 15 de março de 2011.

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