Título: O modernismo “com sabor local”: contatos, trocas e misturas na arquitetura e nas artes brasileiras

Autores: Sulamita Fonseca Lino

Orientador: Prof. Dr. Stephane Huchet

Categoria: Dissertação

Palavras-chave: Não tem.

Resumo: Este trabalho tem como objetivo discutir como se deu a complexa relação entre a cultura internacional, através das vanguardas artísticas e arquitetônicas, e a cultura nacional, nas primeiras manifestações da arquitetura e das artes considerada modernas no Brasil, nos anos de 1923 a 1933. Foram escolhidos no contexto brasileiro dois artistas e dois arquitetos cujos trabalhos são resultados do contato deles com a vanguarda internacional e a cultura local; são eles, os europeus do leste, Lasar Segall e Gregori Warchavchik, e os brasileiros, Tarsila do Amaral e Flávio de Carvalho. Em um primeiro momento, foi mapeada como se deu a formação internacional desses artistas e arquitetos e quais foram as principais referências que eles trouxeram para o Brasil. Em seguida, foram analisadas as primeiras casas modernas projetadas por Warchavchik, quais foram suas referências imediatas e como as telas de Segall e Tarsila foram inseridas em seus ambientes. E por fim, foi estudado o momento em que os artistas e arquitetos se organizaram em sociedades e promoveram conferências, exposições, teatro, entre outros. Além disso, este é o momento em que Warchavchik e Flávio de Carvalho construíram obras arquitetônicas ,que discutem a moradia coletiva, e que Tarsila e Segall estavam incorporando em seus trabalhos a temática social. A análise dos contatos, das trocas e das misturas nesse contexto revela a complexa relação entre toda uma variedade de referências, como o Expressionismo Alemão, o Cubismo, a art nègre, as obras e teorias de Le Corbusier e da Bauhaus, a casa brasileira, a cultura popular, o negro local, as cores caipiras, a luz tropical, entre outros. É possível reconhecer nessa complexa relação alguns aspectos comuns que a literatura contemporânea apontava: a relação entre o arcaico e o moderno presente na obra Macunaíma, de Mario de Andrade, e a atitude do Antropófago, apresentada na obra de Oswald de Andrade. O que se observa é que esses artistas e arquitetos deglutiam as referências culturais, tanto internacionais como locais, de maneira intuitiva, ou seja, desconsiderando seus contextos originais. Esse ato de devoração criou uma arte e uma arquitetura que pertence simultaneamente ao dois mundos (europeu e brasileiro) e a nenhum, indefinida, que mistura o arcaico e o moderno e cria um modernismo “com sabor local”.

Origem: Biblioteca Digital UFMG

Acesso pela nossa equipe em: 27 de set. de 2010.

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