Título: A análise da cor enquanto expressão arquitetônica: o caso da arquitetura religiosa do centro histórico de São Cristóvão (SE).

Autor: Andréa Costa Romão Silva

Orientador: Mário Mendonça de Oliveira

Categoria: Dissertação

Palavras-chave: cor na arquitetura;  evolução urbana; igrejas; São Cristóvão (SE)

Resumo: A cor é um fenômeno primordial e onipresente, capaz de imprimir significado e unidade à fisionomia espacial, seja ela pertencente ao ambiente natural ou construído. Por estar associada a essa conformação, insere-se como fator absolutamente cultural. Partindo desse pressuposto e de que a arquitetura é uma das expressões físicas desse artefato cultural, não temos como dissociá-la da cor, que é um dos marcos de comunicação arquitetônica na formação da imagem urbana. O Centro Histórico da cidade de São Cristóvão, em Sergipe, enquadra-se perfeitamente nesses aspectos, pelo seu rico acervo arquitetônico, urbanístico e paisagístico. Essa riqueza deve-se à formação e evolução urbana, inserida no território brasileiro como um dos primeiros núcleos de povoamento, cujo método de urbanização balizou-se na investida religiosa, essencialmente católica. Por essa razão é que foi eleito avaliar o caráter especial da gama cromática que compõe os elementos arquitetônicos das igrejas em São Cristóvão, tomadas como objetos de estudo. São elas: a Igreja Matriz Nossa Senhora da Vitória, a Santa Casa de Misericórdia, a Igreja de Nossa Senhora do Amparo, o Conjunto São Francisco, o Conjunto Nossa Senhora do Carmo e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Tais monumentos fazem parte do rol de bens que, no contexto do projeto de unidade nacional, instituído pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) – organismo federal designado legalmente para identificar e promover a proteção dos bens culturais brasileiros –, foram consagrados como patrimônio da nação. Desde então, as inúmeras ações que os valeram, visando a sua preservação, também incidiram sobre o aspecto cromático das estruturas arquitetônicas. Sobre elas, é que esta pesquisa incidiu, com o objetivo maior de retratar as suas características históricas, avaliar como se deu tal processo e como tais elementos se apresentam no contexto atual. Para tanto, o panorama metodológico adotado, para cada igreja, tomou como referência três aspectos: (i) os parâmetros cromáticos histórico-documentais das ações empreendidas; (ii) os vestígios subsistentes nas estruturas dos edifícios; (iii) e as características dos pigmentos e/ou cargas e materiais constituintes nos estratos das pinturas. A concretização da investigação revelou divergências entre o panorama histórico e a postura que predominou no IPHAN, principalmente nos primeiros anos de atuação, no período do pós-tombamento das igrejas. Por outro lado, nos últimos anos, houve uma mudança de postura, muito em função da ampliação da noção de patrimônio, que refletiu, diretamente, no maior rigor na execução das etapas de projeto, plano de obras e procedimentos de trabalhos pictóricos. Com isso, muitas composições de cor foram refeitas, mesmo que parcialmente, muito embora, fora do contexto em que outrora fora aplicada. Por fim, há que se frisar que, longe de querer constituir um fim em si mesma, esta pesquisa pretendeu construir o alicerce para a percepção da relevância da cor na arquitetura, como forma de contribuir para o preenchimento de eventuais lacunas existentes para a sua compreensão e aprimoramento, inclusive para que se possa dar continuidade às discussões acerca do assunto, também em novas vertentes de pesquisa.

Origem do arquivo: Portal UFBA – PPG-AU FAUFBA

Acesso pela nossa equipe em: 25 de abril de 2012.

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