Título: Teatro em grande escala: a cidade barroca e sua expressão na América Hispânica

Autor: Rodrigo Espinha Baeta

Orientador: Eloísa Petti Pinheiro

Categoria: Tese

Palavras-chave: Barroco; cidades; transformações urbanas; urbanismo; influência espanhola; 

Resumo: A tese aqui apresentada constitui-se em uma investigação cuja temática estaria diretamente relacionada às discussões que afetariam a caracterização daquele importante momento da história da arte conhecido como Barroco. Teria como fundamento a averiguação da hipótese que atestaria que o mesmo espírito inebriante que tomaria de assalto o mundo ocidental em todo o século XVII e na maior parte do século XVIII, contaminando a arte, a arquitetura, a literatura, a música, o teatro, teria igualmente alcançado a configuração visiva das cidades. Ou seja, a poética barroca, com seu apelo à imaginação, à fantasia, à ebriedade, à “maravilha”, com seu uso incondicional de artifícios retóricos voltados a conquistar e persuadir as massas, dirigindo-as ao apoio incondicional às estruturas de poder constituídas na Europa e nas colônias além mar – os Estados absolutistas consolidados no século XVI e a Igreja católica recém reformada –, comandaria o desenho de novas cidades planificadas, bem como promoveria transformações em muitos núcleos preexistentes, organismos urbanos que passariam a exaltar, genericamente, um panorama cenográfico de alto teor Barroco. Contudo, as ações que transfigurariam estas cidades em palcos nos quais seria encenado o drama retórico e persuasivo do Barroco não se fundariam, na grande maioria das vezes, em intervenções propriamente urbanísticas. Na verdade, nem sempre existiria uma conexão direta entre a urbanística praticada na época e a construção do ambiente cenográfico que caracterizaria a paisagem urbana barroca; o espetáculo dramático encenado na cidade se daria através da “amarração” dos acontecimentos teatrais que transformariam o núcleo urbano em uma total e dramática experiência artística; e isto se daria à revelia dos processos de planificação, dependendo das intervenções pontuais que o núcleo estaria recebendo gradativamente – e, particularmente, da “costura” destes “eventos” no espaço e no tempo da apreciação da cidade pelo fruidor, pelo transeunte, pelo espectador. Neste ponto, a pesquisa aqui desenvolvida se abriria para outra linha de investigação conexa, complementar. Provada a existência da “cidade barroca”, o autor se voltaria à hipótese que afirmaria sua manifestação nos territórios conquistados e ocupados pelo império espanhol nas Américas – proposição que esbarraria em um grave problema. A questão a ser avaliada poderia ser formulada da seguinte forma: como seria possível a urbanística praticada pelo projeto de colonização espanhol ter contribuído para a construção do espaço urbano barroco, já que os conhecidos planos regulares quinhentistas seriam iniciativas que estariam muito apartadas dos princípios essenciais da poética barroca, assim como não se aproximariam da própria urbanística praticada no período – além de terem-se estabelecido em anterioridade à eclosão do espírito barroco? A resposta a este último questionamento partiria de uma alegação que asseguraria que a cidade hispano-americana poderia alcançar, eventualmente, uma condição barroca, “apesar” da Teatro em grande escala: a Cidade Barroca e sua expressão na América Hispânica urbanística – apesar da presença tirânica de sua grelha regular e obsessiva. Ou seja, as cidades ordenadas, fundadas no século XVI, deveriam contar, nas próximas duas centúrias, com intervenções – de teor urbanístico, mas especialmente de escala arquitetônica – que atuassem “contra” a quadrícula, contra o esquema rígido e estacionado do traçado típico hispano-americano. Já que a estrutura urbanística das cidades seria extremamente engessada e inflexível, não seria fácil transfigurá-la a partir de intervenções em sua armação viária. Logo, os assentamentos poderiam se conformar como cenários barrocos especialmente devido à contaminação do seu ambiente por “eventos” profundamente expressivos, acontecimentos dramáticos gerados pela influência que a arquitetura exerceria nas imagens capturadas no núcleo urbano, “costuradas” na dimensão espaço-temporal da apreensão da cidade.

Origem do arquivo: Portal PPG-AU / FAUFBA

Acesso em: 25 de abril de 2012.

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