Título: O discurso do progresso e o desejo por uma outra cidade: imposição e conflito em Ipu – CE (1894-1930).

Autores: Antonio Vitorino Farias Filho

Orientador: Marco Aurélio Ferreira da Silva

Categoria: Dissertação

Palavras-chave: discurso, progresso, cidade, representação.

Resumo: Este trabalho analisa como se constituiu em Ipu, no início do século XX, um dado discurso do progresso, e como ele foi capaz de gerar práticas de intervenção no espaço urbano local, de informar ações e condicionar o comportamento de indivíduos e segmentos sociais, mormente, daqueles que o professavam (seus agentes), isto é, daqueles fascinados pelos signos do novo. No caminho de dotar a cidade de signos do progresso, isto é, de afirmar os seus foros de “terra adiantada”, os agentes do progresso, unidos em torno de um projeto, adotaram práticas efetivas de intervenção no espaço urbano ao fundar novos espaços de sociabilidade para seu deleite. A representação de que a cidade vivia os ares do progresso foi capaz de informar ações e práticas de intervenção na realidade ipuense, como forma de dotá-la de seus signos. Nas primeiras décadas do século XX, os defensores do progresso – a partir da ideia de que os verdadeiros ipuenses e a cidade eram dotados de “foros de civilizado” – empreenderam uma luta contra todos os costumes da população, ditos “arcaicos”, já que eles eram vistos como o lado oposto da busca pelos ares progressistas e civilizadores, portanto, que deveriam ser banidos. Diante da tentativa de impor uma definição de mundo e um projeto excludente para a cidade, as classes populares resistiram e lutaram tenazmente na defesa de seus valores e do direito de também usar os espaços públicos da cidade. O discurso do progresso está estampado nas fontes legadas do período: jornais, revistas, almanaques, livretos, documentos oficiais (do poder) etc., todos produzidos pelos “agentes do progresso”.

Origem do arquivo: Portal MAHIS / UECE

Acesso em: 30 de abril de 2012.

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