Título: Arquivo mnemônico do lugar: memória e histórias da cidade.

Autor: Paula Uglione Ritter

Orientador: Cristiane Rose de Siqueira Duarte

Categoria: Tese

Palavras-chave: memória; história; cidades; lugares de memória

Resumo: Assim como a racionalidade medieval acreditou na escritura como chave para “congelar a memória”, a modernidade foi aquela que começou a desconfiar disto, e muitas águas tiveram que rolar até que esta desconfiança se transformasse no reconhecimento de que o efeito do arquivamento pode não ser, necessariamente, o de “conservação” da memória, mas pode ser, pelo contrário, o de sua (da memória) substituição (ARANTES, 1999, 2001; HUYSSEN, 1994, 2000; JEUDY, 1990, 2005; NORA, 1997 et alli.). E, com esta desconfiança, um “desafeto”, por parte da racionalidade contemporânea, incluindo-se a racionalidade arquitetônica e urbanística, surge com relação ao arquivo como dispositivo da memória: a idéia de arquivo passa a ser, de maneira ampla, vinculada, não de modo homogêneo, evidentemente, a uma não-vontade de memória na sociedade. A presente tese situa-se neste contexto: refletir sobre o estatuto da memória nas racionalidades da arquitetura contemporânea, buscando contribuir para uma (re)colocação do arquivo como elemento conceitual importante para as reflexões atuais da sociedade em relação às formas de conceber, de projetar e de habitar as cidades. Em sua fundamentação teórica apresenta uma história (ou uma memória) das concepções filosóficas, arquitetônicas e psicológicas subjacentes aos diferentes pensamentos acerca da memória, que “habitam” as cidades desde o início do séc. XX até os dias de hoje. Em sua proposição metodológica, descreve e desenvolve uma abordagem de escrita de histórias da cidade, na qual o conceito de arquivo mnemônico é o seu eixo fundamental. Lugares de Memória na cidade são aqueles dotados da capacidade, não de refletir algum alívio identitário, mas, pelo contrário, de provocar rupturas na cidade, e com elas a urgência de memória nessa cidade; Lugares de Memória não contém histórias da cidade, nem são lugares muito lembrados, ou marcos urbanos, mas provocam narrativas do lugar, evocações na/da cidade. Uma concepção de memória na cidade a partir de uma concepção de arquivo não traz nenhuma nitidez da cidade, nem tão pouco uma imagem mais simples e legível dela; não é uma abordagem de deciframento da cidade, mas de escrituras de memória na/da cidade que não visam mapear nem descortinar o “…comportamento aparentemente misterioso e indomável das cidades” (JACOBS, 2007), mas escrever histórias de cidades misteriosas e indomáveis. Se há diferenças entre memória e história, uma delas está nas marcas que o desejo e a fantasia deixam no arquivo mnemônico. Se a história é uma prótese, como lamenta NORA (1997) é justamente porque, acima de tudo, a memória é invenção. Se o arquivo é um dispositivo de escrita de histórias da cidade através do qual uma memória inventiva, ficcional e desejante “monta” significações para a vida, então, parece que as racionalidades contemporâneas teriam bastante a ganhar olhando seus esquecimentos e, quem sabe, inventando maneiras/abordagens de escrever arquivos mnemônicos na/da cidade.

Origem do arquivo: Portal PROARQ – UFRJ

Acesso em: 06 de junho de 2012.

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